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Gestão

Controle de estoque para restaurante pequeno

Por Equipe Rest FoodPublicado em 7 min de leitura

Funcionário contando o estoque nas prateleiras do depósito de um restaurante

Controle de estoque para restaurante pequeno: comece pelo que pesa

O controle de estoque para restaurante pequeno falha quase sempre pelo mesmo motivo: o dono tenta controlar tudo, do sal ao guardanapo, desiste na segunda semana e volta a comprar "pelo olho". A saída é inverter a ordem. Controle primeiro os poucos itens que respondem pela maior parte do dinheiro parado na despensa e deixe o resto para depois.

Este texto mostra um método que cabe numa rotina com pouca gente: separar os itens por importância, registrar entradas com custo, contar o que importa toda semana e transformar a diferença em ação.

Por que controlar estoque, em reais

Estoque é dinheiro em forma de queijo, carne e embalagem. Sem controle, três coisas acontecem:

  • Você compra demais e perde produto por validade.
  • Você compra de menos e tira item do cardápio no meio do sábado.
  • O produto some por desperdício, porção maior que a ficha ou desvio, e ninguém percebe.

Um exemplo de pizzaria pequena: ela compra 60 kg de muçarela por mês a R$ 40,00 o quilo, R$ 2.400,00. Se 5% some sem explicação, são 3 kg, ou R$ 120,00 por mês só nesse item. Em um ano, R$ 1.440,00. E muçarela é um item entre vários.

Passo 1: separe os itens pela curva ABC

A curva ABC ordena os insumos pelo valor gasto no mês. Em restaurante, poucos itens somam a maior parte do custo:

  • Classe A: cerca de 20% dos itens, perto de 80% do valor. Carne, queijo, camarão, açaí, óleo.
  • Classe B: os próximos itens, cerca de 15% do valor.
  • Classe C: a maioria dos itens, cerca de 5% do valor. Temperos, descartáveis pequenos.

Como fazer: pegue as notas de compra do último mês, some o valor por insumo e ordene do maior para o menor. Exemplo de uma hamburgueria:

InsumoGasto no mêsAcumuladoClasse
Carne moída (blend)R$ 4.200,0035,0%A
Pão briocheR$ 1.800,0050,0%A
Queijo cheddarR$ 1.320,0061,0%A
BaconR$ 1.080,0070,0%A
Batata congeladaR$ 960,0078,0%A
Óleo de frituraR$ 720,0084,0%B
EmbalagensR$ 600,0089,0%B
RefrigerantesR$ 540,0093,5%B
Demais 30 itensR$ 780,00100,0%C
TotalR$ 12.000,00

Cinco itens somam 78% do gasto. São eles que você conta toda semana.

Passo 2: registre toda entrada com o custo da nota

Entrada de mercadoria sem registro destrói qualquer controle. Cada compra precisa entrar com quantidade, unidade e custo.

Custo médio

Quando você compra o mesmo insumo por preços diferentes, o custo do estoque é a média ponderada. Exemplo:

  • Estoque atual: 10 kg de queijo a R$ 38,00 o quilo, R$ 380,00.
  • Nova compra: 5 kg a R$ 44,00 o quilo, R$ 220,00.
  • Novo estoque: 15 kg valendo R$ 600,00.
  • Custo médio: R$ 600,00 dividido por 15 kg = R$ 40,00 o quilo.

É esse custo que vai para o cálculo do CMV, não o preço da última nota.

Unidade de compra e unidade de uso

Você compra queijo em peça de 3 kg e usa em gramas. Compra refrigerante em fardo de 12 e vende em lata. Defina a conversão uma vez (1 fardo = 12 latas) e registre sempre na mesma unidade de estoque.

Passo 3: faça inventário curto e frequente

Inventário é a contagem física do que está na despensa, na câmara e na geladeira. Para restaurante pequeno, o ritmo que funciona:

ClasseFrequênciaQuem contaTempo médio
Asemanal, mesmo dia e horáriogerente ou dono15 a 20 minutos
Bquinzenalcozinheiro responsável15 minutos
Cmensalqualquer pessoa treinada30 minutos

Regras da contagem:

  • Conte antes de abrir ou depois de fechar, nunca com a cozinha produzindo.
  • Conte na unidade de estoque (kg, unidade, litro), não em "meia caixa".
  • Produto aberto conta pelo peso, não por estimativa.
  • Duas pessoas no item A mais caro: uma conta, outra confere.

Estoque teórico x estoque real

Estoque teórico é o que deveria existir: estoque inicial, mais compras, menos o que foi usado nas vendas, menos perdas registradas. Estoque real é o que você contou. A diferença é a perda não explicada.

Exemplo da muçarela em uma semana:

  • Estoque inicial: 14,0 kg
  • Compras: 15,0 kg
  • Consumo pelas vendas (pela ficha técnica): 16,2 kg
  • Perdas registradas: 0,4 kg
  • Teórico: 14,0 + 15,0 menos 16,2 menos 0,4 = 12,4 kg
  • Contado: 11,6 kg
  • Diferença: 0,8 kg, que a R$ 40,00 o quilo dá R$ 32,00 na semana

Para calcular o consumo pelas vendas você precisa da ficha técnica de cada prato. Sem ela, só dá para saber quanto saiu, não quanto deveria ter saído.

Passo 4: registre perdas com motivo

Perda registrada não é fracasso, é informação. Toda saída que não é venda precisa de quantidade e motivo.

MotivoExemploAção típica
Validadealface que passou do pontoreduzir lote de compra
Preparo erradopizza queimadatreino ou ajuste do forno
Pedido refeitohambúrguer com ponto erradorevisar comanda e ponto padrão
Avarialata amassada no recebimentoconferir na entrega e devolver
Consumo internorefeição da equiperegistrar como custo de pessoal

Se a diferença entre teórico e real cai quando as perdas passam a ser registradas, o problema era registro. Se continua alta, olhe porcionamento e recebimento.

Passo 5: defina estoque mínimo e ponto de pedido

Com quatro semanas de dados, você sabe quanto usa de cada item A por semana. A partir daí:

  • Estoque mínimo = consumo médio por dia vezes dias de entrega do fornecedor, mais uma margem de segurança.
  • Exemplo: consumo de 2,5 kg de bacon por dia, fornecedor entrega em 3 dias, margem de 1 dia. Estoque mínimo: 2,5 x (3 + 1) = 10 kg.

Quando a contagem ou o sistema mostrar menos de 10 kg, é hora de pedir. Isso evita a compra de emergência no atacarejo, normalmente mais cara.

Confira a mercadoria no recebimento

Boa parte da diferença de estoque nasce na porta, antes de o produto entrar na despensa. Recebimento é o momento de conferir, não de assinar e voltar para a chapa.

O que conferir em cada entrega:

  • Peso e quantidade contra a nota, não contra o pedido feito por telefone.
  • Temperatura de refrigerados e congelados, com termômetro.
  • Validade de cada lote, e se ela cobre o tempo que você leva para usar.
  • Embalagem íntegra, sem lata amassada ou saco furado.
  • Preço da nota igual ao combinado.

Um exemplo de por que vale a pena: uma caixa de frango vendida como 10 kg chega com 9,4 kg. A R$ 18,00 o quilo, são R$ 10,80 a menos na caixa. Com 4 entregas por mês, R$ 43,20 que você paga e não recebe. Se ninguém pesa, essa diferença aparece no inventário como perda da cozinha.

Quanto tempo o controle consome

Somando tudo, o método toma pouco tempo por semana:

  • Inventário dos itens A: 20 minutos.
  • Registro das compras: 5 minutos por nota, ou menos se o sistema importa o arquivo da nota.
  • Conferência no recebimento: 5 minutos por entrega.
  • Análise da diferença entre teórico e real: 15 minutos.

Uma hora e pouco por semana para saber onde estão algumas centenas de reais por mês é uma troca que se paga rápido.

Erros comuns no restaurante pequeno

  • Controlar tudo desde o primeiro dia. Comece pela classe A.
  • Não registrar a compra feita no mercado com dinheiro do caixa.
  • Contar em dias diferentes a cada semana, o que impede comparar.
  • Ignorar a porção real. Se a ficha diz 150 g e o chapeiro usa 170 g, a diferença aparece como perda no inventário.
  • Usar o preço da última nota em vez do custo médio.
  • Não olhar a diferença. Contar e não agir é só trabalho a mais.

Checklist da primeira semana

  • Lista dos insumos ordenada por gasto no último mês.
  • Itens da classe A definidos (10 a 20 itens).
  • Unidade de estoque e conversão definidas para cada item A.
  • Contagem inicial dos itens A feita e registrada.
  • Todas as compras da semana registradas com custo.
  • Planilha ou sistema de perdas com motivo à disposição da cozinha.
  • Dia e horário fixo do inventário semanal combinados.

Para restaurante de prato feito e marmitaria, onde o cardápio muda por dia, o controle por insumo é ainda mais importante. Veja sistema para marmitaria.

Como fazer isso no Rest Food

No Rest Food, o estoque trabalha com custo médio, inventário e registro de perdas, a partir do plano Delivery. A nota de entrada importa o XML do fornecedor, dá entrada no estoque e já cria a conta a pagar, o que elimina a digitação da compra item a item.

No plano Completo, a ficha técnica faz a baixa automática dos insumos a cada venda e o relatório de CMV por produto mostra quanto cada prato custa de verdade. Os relatórios de estoque baixo e de movimentações de estoque mostram o que precisa ser comprado e o que saiu, com exportação em CSV.

Perguntas frequentes

Planilha serve para controlar estoque de restaurante?

Serve para começar, principalmente com poucos itens A. O limite aparece quando você quer comparar estoque teórico com real, porque a planilha não sabe o que foi vendido. Nesse ponto, um sistema com ficha técnica economiza horas por semana.

Preciso parar o restaurante para fazer inventário?

Não. Conte os itens A antes de abrir ou depois de fechar, num horário fixo. Com 10 a 20 itens, a contagem leva menos de meia hora.

Qual diferença entre estoque teórico e real é aceitável?

Não existe número único. Acompanhe a diferença em reais por item ao longo das semanas. O que importa é a tendência e os itens que repetem diferença alta.

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