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Cashback ou programa de fidelidade: qual usar no restaurante
Por Equipe Rest FoodPublicado em 8 min de leitura

Cashback ou programa de fidelidade: a resposta curta
Se o seu cliente já gosta da casa mas demora para voltar, o cashback costuma funcionar melhor, porque o saldo tem prazo e cria um motivo concreto para pedir de novo. Se o seu cliente volta toda semana e você quer premiar essa frequência sem mexer no preço, o programa de fidelidade com selos sai mais barato e é mais fácil de explicar no balcão.
Os dois resolvem o mesmo problema: fazer quem comprou uma vez comprar de novo. A diferença está em quanto cada um custa, em como o cliente entende a regra e no que acontece com a sua margem. Este texto compara os dois com contas em R$ e termina com um roteiro de teste.
Como funciona cada modelo
Cashback
O cliente faz um pedido e recebe de volta uma parte do valor como saldo. Exemplo: 5% de cashback em um pedido de R$ 60,00 geram R$ 3,00 de saldo. No próximo pedido, esses R$ 3,00 abatem do total.
Três regras definem o comportamento do cashback:
- Percentual: quanto do pedido volta como saldo.
- Validade: em quantos dias o saldo expira. Validade curta empurra a recompra; validade longa vira só desconto.
- Uso mínimo ou máximo: se o saldo pode pagar o pedido inteiro ou só uma parte.
O termo está explicado no glossário de cashback.
Programa de fidelidade com selos
O cliente ganha um selo a cada compra que atende a uma condição (por exemplo, pedido acima de R$ 30,00). Ao completar o cartão, troca por um prêmio: uma pizza broto, um açaí de 500 ml, uma porção de batata. É a versão digital do cartão de papel carimbado.
A regra é simples de contar em voz alta: "a cada 10 pedidos, o 11º açaí é por nossa conta". Por isso funciona bem em balcão, em telefone e com público que não quer fazer conta.
Quanto custa cada um: as contas
O erro mais comum é comparar os dois pelo valor de face. Cashback custa preço de venda. Selo custa preço de custo. Isso muda tudo.
Custo do cashback
Suponha uma açaiteria com ticket médio de R$ 25,00 e cashback de 5%.
- Em 10 pedidos, o cliente gasta R$ 250,00.
- Gera R$ 12,50 de saldo (5% de R$ 250,00).
- Quando ele usa o saldo, você deixa de receber R$ 12,50 em dinheiro.
O custo efetivo é de 5% da receita desse cliente, se todo saldo for usado. Na prática, parte do saldo expira sem uso, e esse custo cai. Se 40% do saldo expirar, o custo real fica em 3% (60% de 5%).
Custo do cartão de selos
Mesma açaiteria, mesmo cliente:
- 10 pedidos de R$ 25,00 somam R$ 250,00.
- No 11º, ele ganha um açaí de 500 ml que custa R$ 25,00 no cardápio.
- O custo de produção desse açaí (insumos e embalagem) é de R$ 8,75, o que dá um CMV de 35%.
O custo real do prêmio é R$ 8,75 sobre R$ 250,00 de receita: 3,5%. Para o cliente, o benefício percebido é de R$ 25,00, ou 10% do que ele gastou.
Comparação lado a lado
| Item | Cashback de 5% | Selos (10 + 1) |
|---|---|---|
| Receita em 10 pedidos | R$ 250,00 | R$ 250,00 |
| Benefício percebido pelo cliente | R$ 12,50 | R$ 25,00 |
| Custo para a loja, uso total | R$ 12,50 (5%) | R$ 8,75 (3,5%) |
| Custo para a loja, 40% não resgatado | R$ 7,50 (3%) | depende de quantos completam o cartão |
| Quando o cliente sente o benefício | já no 2º pedido | só no 11º |
A leitura: o selo entrega mais valor percebido por menos custo, mas demora. O cashback entrega pouco, só que entrega logo. Por isso o cashback costuma ser mais eficiente para trazer de volta o cliente da primeira compra, e o selo para segurar quem já é frequente.
Quando o cashback é a melhor escolha
Use cashback quando o seu problema é o intervalo entre o primeiro e o segundo pedido. Ele dá um motivo imediato para voltar.
Situações em que ele funciona bem:
- Delivery com ticket médio acima de R$ 50,00, como pizzaria e hamburgueria. O saldo de R$ 2,50 a R$ 5,00 é visível e o cliente lembra dele.
- Cardápio variado, em que você não quer escolher um produto fixo como prêmio.
- Vendas pelo cardápio próprio, onde o saldo aparece no checkout sem o cliente precisar pedir.
- Quando você quer tirar pedido de um app de terceiros. O saldo só vale no seu canal, então o cliente tem motivo para pedir direto. O assunto está em delivery sem comissão.
Cuidados com o cashback:
- Percentual alto vira desconto permanente. Acima de 10% você está, na prática, baixando o preço do cardápio.
- Validade longa (90 dias ou mais) reduz o efeito de urgência. Para comida, 30 a 45 dias costuma ser suficiente.
- Some o cashback com cupons e promoções antes de aprovar. Um pedido com cupom de 10% e cashback de 5% já custa 15% de margem.
Quando o programa de fidelidade é a melhor escolha
Use selos quando o cliente já volta e você quer premiar a frequência sem descontar preço de cada pedido.
Situações em que ele funciona bem:
- Ticket baixo e alta frequência, como açaí, café, pastel e marmita. Um saldo de R$ 1,00 por pedido não chama atenção; um açaí grátis chama.
- Público de balcão e telefone, que entende "faltam 3 selos" mais rápido que "você tem R$ 4,37 de saldo".
- Produto de baixo CMV para dar de prêmio. Batata, refrigerante ou sobremesa feitos na casa custam pouco e têm valor percebido alto.
Cuidados com os selos:
- Cartão longo demais desanima. Com 15 ou 20 selos, o cliente médio nunca chega ao fim e o programa não muda comportamento.
- Defina o valor mínimo por selo. Sem ele, o cliente fraciona o pedido para ganhar dois selos.
- Escolha um prêmio que você consiga produzir no pico sem atrapalhar a cozinha.
Quantos selos pedir
Uma conta rápida ajuda a calibrar. Se o seu cliente frequente pede 4 vezes por mês, um cartão de 10 selos é completado em pouco mais de dois meses. Para quem pede 1 vez por mês, o mesmo cartão leva quase um ano, e ninguém espera tanto. Olhe a frequência real no relatório de clientes recorrentes antes de fixar o número.
Dá para usar os dois juntos
Dá, mas só depois de medir um deles sozinho. Ligar os dois no mesmo dia impede saber qual trouxe resultado.
Se for combinar, separe o papel de cada um:
- Cashback para o cliente novo: incentiva o segundo e o terceiro pedido.
- Selos para o cliente frequente: premia quem já pede toda semana.
E some o custo total. No exemplo da açaiteria, cashback de 5% com 40% de expiração (3%) mais selos (3,5%) dá 6,5% da receita desse cliente. Compare com a sua margem de contribuição antes de aprovar.
Como medir se está funcionando
Não meça pelo número de clientes cadastrados. Meça pela mudança de comportamento.
| Indicador | Como calcular | O que esperar |
|---|---|---|
| Taxa de recompra em 30 dias | clientes com 2º pedido em 30 dias, dividido por clientes com 1º pedido no período | subir em relação aos 60 dias anteriores |
| Intervalo entre pedidos | média de dias entre pedidos do mesmo cliente | cair |
| Ticket médio | faturamento dividido por número de pedidos | estável ou subindo |
| Custo do programa | saldo resgatado ou custo dos prêmios, dividido pelo faturamento | abaixo do limite que você definiu |
| Saldo expirado | saldo vencido dividido por saldo gerado | informativo, não é meta |
Um exemplo de leitura: antes do cashback, 18 de cada 100 clientes novos voltaram em 30 dias. Depois de dois meses com cashback, 26 de cada 100 voltaram. São 8 clientes a mais por centena. Se cada um faz em média 3 pedidos de R$ 60,00 no trimestre seguinte, são R$ 1.440,00 de receita extra por centena de clientes novos (8 x 3 x R$ 60,00). Contra isso, você coloca o custo do saldo resgatado.
O ticket médio precisa ser acompanhado junto, porque um programa mal desenhado pode aumentar a frequência e reduzir o valor de cada pedido. O assunto está detalhado em ticket médio: como calcular e aumentar.
Roteiro de teste em 60 dias
- Tire do relatório a taxa de recompra e o ticket médio dos últimos 60 dias. Esse é o seu ponto de partida.
- Escolha um modelo só, com base no seu ticket e na frequência do cliente.
- Defina o limite de custo, por exemplo 4% do faturamento dos clientes participantes.
- Configure a regra (percentual e validade, ou número de selos, valor mínimo e prêmio).
- Avise o cliente em três lugares: no cardápio, na mensagem de confirmação do pedido e no cupom impresso que vai na sacola.
- Depois de 60 dias, compare recompra, ticket e custo com o ponto de partida.
- Ajuste um parâmetro por vez. Se a recompra subiu e o custo passou do limite, reduza o percentual antes de desligar.
LGPD e base de clientes
Os dois modelos dependem de identificar o cliente, normalmente pelo telefone. Isso é dado pessoal. Use o telefone para o programa e para avisos do pedido; para mensagens de promoção, peça consentimento separado e ofereça saída fácil. As regras gerais estão no site da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (abre em nova aba), e o tema tem um texto próprio em LGPD para restaurantes.
Como fazer isso no Rest Food
No plano Delivery e no Completo, o Rest Food tem cashback automático e comanda fidelidade com cartão de selos. O cashback é calculado sozinho nos pedidos e o saldo pode ser usado no cardápio digital e no PDV do balcão. A comanda fidelidade fica em Marketing, Fidelidade.
Para medir, os relatórios de cashback, de clientes novos x recorrentes e de melhores clientes mostram se o programa está mudando o comportamento, com exportação em CSV. Se você também usa cupons, veja cupons e promoções para não somar descontos sem perceber.
Perguntas frequentes
Cashback precisa ser declarado ou tem tributação diferente?
O cashback concedido pela loja funciona, na prática, como desconto em uma compra futura. Como ele aparece na nota fiscal e na contabilidade depende do seu regime tributário. Confirme com o seu contador antes de ligar o programa.
Posso dar cashback só no pedido feito pelo cardápio próprio?
Pode, e é uma das formas mais usadas para trazer pedidos de apps de terceiros para o seu canal. Deixe a regra clara no cardápio para o cliente do balcão não se sentir enganado.
O que acontece com o saldo de cashback que expira?
Ele deixa de existir e não vira custo para a loja. Avise o cliente alguns dias antes do vencimento: o aviso costuma gerar pedidos e evita reclamação.
Qual prêmio escolher no cartão de selos?
Escolha um item com custo de produção baixo e valor percebido alto, que a cozinha faça sem atrasar o pico. Sobremesa da casa, porção pequena ou bebida costumam funcionar melhor que o prato principal.


