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Gestão

Fluxo de caixa e DRE para restaurante: como montar

Por Equipe Rest FoodPublicado em 7 min de leitura

Dono de restaurante analisando contas e relatórios financeiros no escritório

Fluxo de caixa e DRE: dois relatórios, duas perguntas

Muito dono de restaurante olha o saldo do banco para saber se o mês foi bom. O saldo responde a uma pergunta só: quanto dinheiro tem agora. Não diz se a casa deu lucro, nem se vai ter dinheiro para a folha da semana que vem. Para isso existem dois relatórios diferentes, e o fluxo de caixa e o DRE do restaurante se completam.

  • O fluxo de caixa responde: vai ter dinheiro na conta para pagar cada compromisso na data certa?
  • O DRE, Demonstração do Resultado do Exercício, responde: a operação do mês deu lucro ou prejuízo?

Um restaurante pode ter lucro no DRE e ficar sem dinheiro no caixa, por exemplo quando vende muito no cartão de crédito e recebe 30 dias depois. E pode ter caixa folgado num mês de prejuízo, porque ainda não pagou o fornecedor. Por isso você precisa dos dois.

Regime de caixa x regime de competência

A diferença entre os dois relatórios está na data que cada um usa.

  • Fluxo de caixa usa a data do dinheiro. A venda no crédito de hoje entra no fluxo na data em que a operadora deposita.
  • DRE usa a data do fato. A mesma venda entra no DRE no mês em que aconteceu, mesmo que o dinheiro chegue no mês seguinte.

Exemplo: o aluguel de outubro, pago no dia 5 de novembro, aparece no DRE de outubro e no fluxo de caixa de novembro.

Como montar o DRE do restaurante

O DRE simplificado segue uma ordem fixa: do faturamento, você vai tirando os custos, do mais ligado à venda até o mais fixo.

Exemplo de um mês de uma pizzaria de bairro:

LinhaValor% da receita bruta
Receita bruta de vendasR$ 90.000100%
(−) Impostos sobre a vendaR$ 5.4006,0%
(−) Cancelamentos e descontosR$ 1.8002,0%
Receita líquidaR$ 82.80092,0%
(−) CMVR$ 28.80032,0%
Lucro brutoR$ 54.00060,0%
(−) Taxas de cartão e PixR$ 2.2502,5%
(−) Comissão de aplicativosR$ 3.6004,0%
(−) EmbalagensR$ 1.9002,1%
Margem de contribuiçãoR$ 46.25051,4%
(−) Folha, encargos e pró-laboreR$ 22.00024,4%
(−) AluguelR$ 8.0008,9%
(−) Energia, gás e águaR$ 4.2004,7%
(−) Contador, sistema e manutençãoR$ 2.8003,1%
Resultado operacionalR$ 9.25010,3%

O que cada linha conta

  • Receita bruta. Tudo o que foi vendido no mês, em todos os canais.
  • Impostos sobre a venda. O percentual depende do regime tributário e da faixa de faturamento. O número do exemplo é ilustrativo. Confirme o seu com o contador.
  • Cancelamentos e descontos. Pedidos estornados, cupons, cortesias. Se essa linha cresce, investigue antes de cortar custo.
  • CMV. O custo dos ingredientes efetivamente vendidos. O jeito certo de calcular é estoque inicial mais compras menos estoque final. Veja como calcular o CMV do restaurante.
  • Despesas variáveis. Crescem com a venda: taxas de pagamento, comissão de app, embalagem.
  • Despesas fixas. Não mudam se você vender mais ou menos no mês. Inclua o pró-labore dos sócios. Dono que não se paga no DRE está escondendo um custo.

Ponto de equilíbrio a partir do DRE

Com o DRE pronto, você calcula o ponto de equilíbrio:

Ponto de equilíbrio = despesas fixas ÷ margem de contribuição percentual

No exemplo: despesas fixas de R$ 22.000 + R$ 8.000 + R$ 4.200 + R$ 2.800 = R$ 37.000. Margem de contribuição de R$ 46.250 ÷ R$ 90.000 = 51,4%. Ponto de equilíbrio: R$ 37.000 ÷ 0,5139 = cerca de R$ 72.000 de faturamento por mês.

Abaixo de R$ 72.000, a casa opera no prejuízo. Cada real vendido acima disso deixa cerca de R$ 0,51 de resultado.

Como montar o fluxo de caixa

O fluxo de caixa lista as entradas e saídas previstas por data, a partir do saldo de hoje. Semana a semana é o formato mais útil para restaurante, porque fornecedor, folha e aluguel se concentram em datas certas.

Exemplo do mesmo mês, com saldo inicial de R$ 12.000. As entradas já estão líquidas de taxas e comissões e seguem o prazo de cada forma de pagamento: dinheiro e Pix no dia, débito em um dia, crédito e repasse de aplicativo conforme o contrato.

SemanaEntradasSaídasPrincipais saídasSaldo final
1R$ 19.500R$ 29.400Folha R$ 22.000, fornecedores R$ 7.400R$ 2.100
2R$ 21.200R$ 15.800Aluguel R$ 8.000, fornecedores R$ 7.800R$ 7.500
3R$ 22.300R$ 17.200Fornecedores R$ 7.600, energia, gás e água R$ 4.200, impostos R$ 5.400R$ 12.600
4R$ 23.000R$ 10.900Fornecedores R$ 8.100, outros R$ 2.800R$ 24.700

Confira o fechamento: R$ 12.000 + R$ 86.000 de entradas − R$ 73.300 de saídas = R$ 24.700.

O que esse quadro mostra e o DRE não mostra:

  • A semana 1 é o ponto crítico. O saldo cai para R$ 2.100. Uma conta inesperada, como o conserto do forno, deixaria a casa no negativo.
  • As entradas do mês (R$ 86.000) não batem com o faturamento (R$ 90.000). Parte das vendas no crédito e nos aplicativos só cai no mês seguinte, e taxas e comissões já saíram do valor recebido.
  • Dá tempo de agir. Sabendo disso no dia 1, você negocia o prazo do fornecedor, antecipa recebíveis só se o custo compensar, ou segura uma compra que pode esperar.

Como manter os dois em dia

  1. Registre toda venda no sistema, com a forma de pagamento. Venda fora do sistema some dos dois relatórios.
  2. Lance as contas a pagar quando recebe a nota ou o boleto, com a data de vencimento. É o que alimenta o fluxo.
  3. Feche o caixa todo dia, com sangria, suprimento e conferência. Diferença de caixa acumulada distorce tudo.
  4. Concilie com o extrato uma vez por semana: o que entrou de cartão, Pix e aplicativos bate com o previsto?
  5. Feche o DRE todo mês até o dia 10 do mês seguinte e compare com o mês anterior e com o mesmo mês do ano passado.
  6. Atualize o fluxo toda semana, olhando pelo menos quatro semanas para frente.

Erros comuns

  • Misturar conta da empresa e conta pessoal. O DRE fica errado e o fluxo fica imprevisível.
  • Tratar compra de mercadoria como CMV. Compra é saída de caixa. CMV é o que foi consumido nas vendas. No mês em que você enche o estoque, as duas coisas divergem.
  • Esquecer o fiado. Venda no fiado entra no DRE no mês da venda, mas só entra no caixa quando o cliente paga. Acompanhe o saldo em aberto.
  • Olhar só percentuais. Margem de 10% num mês de R$ 60.000 e num mês de R$ 90.000 são realidades diferentes. Olhe os reais também.

Indicadores para olhar todo mês

Com o DRE e o fluxo prontos, alguns números resumem a saúde da casa. Usando o exemplo acima:

IndicadorComo calcularNo exemplo
CMVCMV ÷ receita bruta32,0%
FolhaFolha, encargos e pró-labore ÷ receita bruta24,4%
AluguelAluguel ÷ receita bruta8,9%
Resultado operacionalResultado ÷ receita bruta10,3%
Ponto de equilíbrioDespesas fixas ÷ margem de contribuição %cerca de R$ 72.000
Folga sobre o equilíbrioReceita bruta − ponto de equilíbrioR$ 18.000
Dias de caixaSaldo ÷ saídas médias por diacerca de 10 dias

Os dias de caixa saem do fluxo: as saídas do mês foram R$ 73.300, ou cerca de R$ 2.443 por dia em 30 dias. Com saldo final de R$ 24.700, a casa aguenta cerca de 10 dias sem nenhuma entrada. É um bom termômetro para decidir se dá para fazer uma compra grande ou trocar um equipamento.

Acompanhe a evolução de cada indicador mês a mês. Um número isolado diz pouco, a tendência diz muito.

Previsto x realizado

O fluxo de caixa só é útil se for comparado com o que aconteceu. No fim de cada semana, ponha lado a lado o previsto e o realizado. Diferenças grandes têm causas típicas: venda abaixo do esperado, conta esquecida no planejamento, repasse de aplicativo que atrasou ou fornecedor que antecipou cobrança. Corrigir a previsão com base nesses erros deixa as próximas semanas mais confiáveis.

Como fazer isso no Rest Food

O módulo financeiro do Rest Food, no plano Completo, reúne contas a pagar e a receber, fluxo de caixa, DRE simplificado e fiado com limite por cliente. As vendas de todos os canais entram sozinhas, a nota de entrada importada do XML do fornecedor gera estoque e contas a pagar, e o CMV vem da ficha técnica com baixa automática por venda. O caixa tem abertura, sangria, suprimento e fechamento cego. Os relatórios de contas a pagar, contas a receber, DRE e caixa por sessão exportam CSV para o contador, que também pode ter acesso próprio ao painel. Veja também relatórios e estoque e CMV.

Perguntas frequentes

Preciso de contador se eu já tenho DRE no sistema?

Sim. O DRE gerencial serve para decisões do dia a dia. A contabilidade oficial, as obrigações fiscais e o enquadramento tributário são responsabilidade do contador. Os dois números devem conversar, e o contador ajuda a acertar a classificação das despesas.

Depreciação de equipamento entra no DRE?

No DRE gerencial, vale incluir uma linha de depreciação para lembrar que forno, freezer e chapa um dia precisam ser trocados. Uma forma simples é dividir o valor do equipamento pela vida útil estimada em meses. Combine o critério com o contador.

Vale a pena antecipar os recebíveis do cartão?

Só quando o custo da antecipação é menor que o custo de não ter o dinheiro, como multa por atraso ou desconto perdido do fornecedor. Antecipar todo mês por hábito vira uma despesa fixa escondida. O fluxo de caixa mostra se a falta de dinheiro é pontual ou estrutural.

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